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"O que me faz viver é tão intenso que até me perco se explicar. O que me faz viver é tão profundo, mas me vê no mundo, no singular. O que me faz viver vai além da lógica. É maior do que a amplitude cósmica, que o meu pensar. O que me faz viver, eu sei, é isto: de Jesus, o Cristo, o amar." [Sérgio Pimenta]
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sábado, 4 de junho de 2011

QUANDO O CARNAVAL CHEGAR

Semana passada, no meu ônibus de todas as manhãs, pude presenciar uma conversa incomum. Incomum porque na "civilizada" cidade em que eu moro, três estranhos normalmente não conversam em voz alta dentro de um coletivo sobre seja o que for, e estava claro que os três protagonistas eram isso mesmo, desconhecidos entre si, trocando opiniões com a desajeitada retórica de quem percebe ter uma audiência cativa.

"No meu tempo", dizia o veterano do trio, um baixinho grisalho que aparentava ser mais velho do que os sessenta e poucos anos que em determinado momento afirmou ter, "quando eu cheguei em 76 no Rio, a coisa não era assim. Tinha emprego pra todo mundo. Eu ganhava por semana, chegava o final de semana e eu recebia 600, 700 reais, réis na época, que a gente gastava e ainda sobrava pra semana seguinte. O sujeito saía de um emprego e já tinha outro esperando ali na esquina. A coisa era diferente, eu pude até construir alguma coisa. Mas agora, do jeito que vão as coisas, nesses últimos vinte anos não deu pra fazer nada".

Olhei de relance para o velho, que numa rápida avaliação não me pareceu o tipo que tivesse construído alguma coisa, mesmo vinte anos atrás.

"Pois já diz o meu avô, ele lutou na Segunda Guerra", retomou depressa o segundo interlocutor, trinta e tantos anos de idade, cabelos pretos engomados, o que falava mais e mais alto dos três, "que pra consertar mesmo esse país era só mesmo colocando os militares na rua. Tirar tudo que é deputado e vereador e deixar só os militares e o presidente no governo. Fechar o Palácio, deixar um vereador ou outro e fazer essa gente trabalhar o dia inteiro. Tem vereador aí ganhando quinze mil reais pra não fazer nada. Acabar com essa roubalheira, e vê se o país não vai pra frente".

O velhinho concordou de imediato, e o terceiro participante, um jovem prematuramente barrigudo que usava óculos e barba por fazer, evidentemente mais politizado e convicto de não nutrir opiniões tão simplistas, calou e deu um meio sorriso.

"Pois com os bilhões que gastam esses deputados", concluiu o velho, empolgado pela sensatez da sua argumentação, "imagine o que não dava pra fazer".

Enquanto eu tentava assuntar o mais desapaixonadamente que podia as eventuais vantagens e riscos de uma rigorosa intervenção militar, o segundo interlocutor, o falador, voltou a falar.

"Tem um cara que trabalha comigo que veio da China. Ele disse que na China, se alguém rouba, o sujeito é algemado em praça pública e leva um tiro na cabeça, e ainda vão cobrar a bala da família".

"Pois aqui deveria ser assim", concordou na mesma hora o velhinho, empolgadamente.

O terceiro, o jovem, claramente incomodado pelo rumo reacionário que a conversa estava tomando, não conseguiu mais ficar quieto.

"É, mas se fosse tão bom lá ele não teria vindo pra cá".

O segundo entendeu e não ousou responder, mas o velhinho tentou impor a sua própria lógica.

"É" disse ele. "Essa gente ouve que aqui é bom, que aqui é primeiro mundo, e vem pra ver como é. Depois vem a decepção".

"Só sei que o Brasil é muito complicado", voltou o segundo. Sem interrupção, para preencher o vácuo, ele lançou essa: "A culpa toda é mesmo dos estrangeiros que vieram aqui colonizar. Vieram, como diz o outro, roubar as nossas terras".

"Pera lá", retrucou o jovem, que a essa altura não estava disposto a deixar passar mais nada. "Você é descendente de europeus. Você não tem como dizer que eles vieram roubar 'as nossas terras'. Você não é descendente dos índios".

"Sou descendente de espanhóis", reconheceu o outro. E arrematou, como se explicasse alguma coisa: "Mas se pelo menos tivesse sido um povo só".

A platéia ao redor guardava desinteressado silêncio, entre um solavanco e outro, e quem deu a última palavra foi ele mesmo, o falador.

"Só sei que esse país não tem mais jeito", disse ele. "A gente vai morrer e daqui a cinquenta anos isso aqui vai estar a mesma coisa".

O jovem e o velho, sem acrescentarem nada à discussão e sem se despedirem, desceram no ponto seguinte. Ficamos só eu, que não havia dito nada, e o falador, que agora desviava os olhos de todos porque não tinha com quem conversar.

Sem deixar de observar impassivelmente a paisagem urbana que passava janela afora (eu, como todos os outros, não havia dado indicação alguma de que tinha estado prestando atenção. Estávamos aparentemente acima daquele tipo de coisa), fiquei tentando diagnosticar o que naquele trecho roubado de conversa havia me perturbado ao ponto de não conseguir tirá-lo da cabeça.

Tive de concluir que, extraídos os lugares-comuns, três questões levantadas naquela conferência coletiva haviam colocado minha cabeça para funcionar: a menção de passagem à Segunda Guerra, uma das minhas obsessões mais caras, a questão da diversidade dos povos na formação do país, e as implicações da expressão "como diz o outro".

Aproveito esse pretexto, então, para expor certas impressões pessoais que me são muito caras e talvez não tenha oportunidade de deixar registradas em outro lugar. Só algumas dizem respeito ao Brasil. Mesmo que eu e você não estejamos no mesmo ônibus, essas impressões talvez sejam de interesse coletivo. Mesmo se fazendo de desentendido, você pode querer saber.


Gosto muito, para minha vergonha, do jeitão do brasileiro (digo "jeitão" no esforço de evitar abstrações ainda maiores, abominações como "povo brasileiro"). Não quero defender e não tenho como justificar o nosso desempenho econômico e político, mas não são esses, deixo logo claro, os quesitos que levo em conta na minha avaliação.

Devo admitir, por outro lado, que não há como separar uma coisa da outra: é nosso jeitão como povo que determina em última instância a natureza peculiar, para dizer pouco do nosso desempenho econômico e político. Não vou dizer que para se produzir um país verdadeiramente bem-sucedido nas arenas econômica e financeira requer-se um povo tão insuportável quanto o norte-americano, mas, pensando bem, acabei de dizer. Para se gerar um país improvável como o Brasil, um imenso e sublimado Portugal, um gigante marginal, pacato, generoso, reflexivo e submisso, requer-se um povo tão absurdo e tão impagável quanto o nosso.

No desenrolar do enredo étnico, nos anais da destilação dos povos, o brasileiro é talvez o resultado mais prodigioso. Por todos os testemunhos que contam (o meu), o mais inclassificável, mais redundante e subutilizado, ao mesmo tempo o mais e o menos presunçoso de todos.

O paradoxo está em que somos um dos povos menos proeminentes da história. Deixamos, em quinhentos anos, pegada nenhuma que não seja de chuteira. Nenhuma bandeira fincada, nenhum número importante, nenhum nome de destaque, nenhuma causa exageradamente meritória, nenhuma revolução de monta, nem um conflito que mereça lugar nas crônicas do futuro. Mais ou menos como Portugal na periferia da Europa, passamos nossa história sem quaisquer ocorrências especiais, à margem do que acontece no resto mundo, porque, por definição, nada acontece no Brasil. Se acontece, foi fora daqui.

Somos uma nação de voyeurs, um dos povos mais bem informados do mundo, mas residentes no mirante dos fatos alheios, sobrevivendo com injeções regulares de cinema e noticiários estrangeiros. Como o Popular da crônica de Veríssimo, somos o curioso que aparece em segundo plano quando alguém está dando uma entrevista na rua a um repórter de televisão. É sempre "o outro" que opina, não a gente: como diz o outro. Somos meros observadores desinteressados no meio dessa confusão.

Assistimos com perplexidade ao desfile de problemas internacionais, na bem-intencionada tentativa de compreender o que na nossa ótica faz pouco ou nenhum sentido. Pois, aparentemente, nenhum dos conflitos que impulsionam as agendas internacionais nos movem ou nos dizem respeito: o partidarismo, o fanatismo religioso, a ambição territorial, a devoção a idéias, as obsessões éticas. Nenhum desse motores nos motiva ou nos faz seguir adiante. Somos literalmente hours-concours, fora da competição, mais de cem milhões de personagens complexos perdidos num enredo sem conflito, reclinados com enfado e alguma volúpia na proverbial mas apropriada imagem do berço esplêndido. Eternamente.

Sem virtude, mas também sem ambição. Talvez estejamos nos preservando para um momento em que nossos recursos especiais sejam realmente necessários. Como o personagem de Chico Buarque, passamos pela vida nos reservando para ocasião oportuna.


"Quem me vê sempre parado,
Distante garante que eu não sei sambar...
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar

Eu tô só vendo, sabendo,
Sentindo, escutando e não posso falar...
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar

Eu vejo as pernas de louça
Da moça que passa e não posso pegar...
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar

Há quanto tempo desejo seu beijo
Molhado de maracujá...
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar

E quem me ofende, humilhando, pisando,
Pensando que eu vou aturar...
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar

E quem me vê apanhando da vida,
Duvida que eu vá revidar...
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar

Eu vejo a barra do dia surgindo,
Pedindo pra gente cantar...
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar

Eu tenho tanta alegria, adiada,
Abafada, quem dera gritar...
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar

Tô me guardando pra quando o carnaval chegar..."




terça-feira, 24 de maio de 2011

SÓ DE SACANAGEM



De Elisa Lucinda


Meu coração está aos pulos!

Quantas vezes minha esperança será posta à prova?

Por quantas provas terá ela que passar?

Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam
entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, que reservo
duramente para educar os meninos mais pobres que eu,
para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus
pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e
eu não posso mais.

Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança
vai ser posta à prova? Quantas vezes minha esperança
vai esperar no cais?

É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o
aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus
brasileiros venha quebrar no nosso nariz.

Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao
conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e
dos justos que os precederam: "Não roubarás", "Devolva
o lápis do coleguinha",
" Esse apontador não é seu, meu filhinho".

Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido
que escutar.

Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca
tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica
ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao
culpado interessará.

Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do
meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear:
mais honesta ainda vou ficar.
Só de sacanagem!

Dirão: "Deixa de ser bobo, desde Cabral que aqui todo
o mundo rouba" e eu vou dizer: Não importa, será esse
o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu
irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a
quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês.

Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o
escambau.

Dirão: "É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde
o primeiro homem que veio de Portugal".

Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal.

Eu repito, ouviram? IMORTAL!

Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente
quiser, vai dá para mudar o final

quarta-feira, 13 de abril de 2011

A CIDADE ESCONDIDA E O DEUS AUSENTE


Até aqui não havia conseguido ponderar sobre os acontecimentos da última quinta-feira (7/04/11). Não havia entusiasmo para arguir ou tecer uma análise. Ainda pasmo e paraliso de terror cada vez que refaço em minha mente as cenas que a mídia não se cansa de narrar. Freud dizia que estamos perpetuamente conspirando em segredo contra nós mesmos. A morte estúpida de crianças em uma escola me faz desconfiar que tal conspiração está cada vez mais explícita.

Em um de seus comentários arbitrários, [Arnaldo Jabor ] citava a carta do assassino enfatizando as partes onde ele falava de “puros e impuros”, “Deus”, “Jesus” e dava recomendações a respeito de seu próprio funeral. Jabor aproveita aquela carta para traçar um histórico da religiosidade humana e suas nefastas conseqüências, agregando, como de praxe, religiosidade e Deus a um único pacote. Por fim arrematava seu comentário com a asseveração de que, apesar de toda a religiosidade, Deus está cada vez mais ausente.

Ora, sejamos mais práticos. Era, na verdade, um sujeito esquizofrênico, solitário, abandonado de todos os lados, perseguido cruelmente na escola por ser “estranho”. Sua carta era uma sucessão de delírios. Ele não professava nela nenhuma religião específica, apenas religiosidade. Neste episódio macabro, aquele sujeito psicótico e atormentado foi apenas o executor. O autor, na verdade, não tem cara. Está presente em instituições como escolas, empresas, ambientes religiosos e na mídia.

O que acontece, de fato, é que este é um mundo de retribuição, em que ninguém ama quem não tem nada a oferecer. Quem são nossos favoritos? Os notáveis, os talentosos, os destacados, os fluentes, os afluentes, os bonitos, os ricos, os famosos, os sábios, os afinados, os inteligentes, os espirituais. Quanto mais admiráveis nos parecem as qualidades de alguém, mais naturalmente, mais inevitavelmente essa pessoa parecerá merecedora do nosso amor.

Aqueles que não têm alguma competência para oferecer: os feios, os desajeitados, os que não sabem falar, os que não sabem escrever, os que não sabem jogar bola, os que não sabem agradar intuem por sua vez que nunca serão amados de forma unânime e intensa como os notáveis. Não têm competências em grau ou quantidade suficientes para merecer nosso amor, e sabem disso.

Nossa tendência mais natural é amar as pessoas pelo que são capazes de fazer, seja essa capacidade efetiva ou potencial. Nisso consiste o que também dou o nome de religiosidade: não amamos as pessoas, amamos suas competências. A religiosidade humana não se resume apenas àquela religiosidade talhada a mão, professada em ambientes ditos sagrados, onde se aglomeram devotos. Trata-se de uma religiosidade mais tosca, não lapidada, esperando receber um formato. Mais ou menos como na carta do sujeito. Para ele as distinções se resumem a “puros e impuros”. Para nós, as distinções mais comuns se baseiam em bonitos e feios, inteligentes e tapados, normais e estranhos... a lista é inesgotável.

A religiosidade não é, portanto, um privilégio dos que se organizam sob um punhado de crenças. A religiosidade é intrínseca ao ser humano, seja ele místico ou agnóstico. É formato do mundo, com o qual não se pode conformar, porque é cármico, é recompensalista e cruel. E neste sistema Deus foi convidado a se retirar, de modo que, é lógico, está ausente. Pois nossa vida é, de cima a baixo, da infância à velhice, da manhã à noite, do trabalho ao lazer, mera resposta condicionada às exigências feitas sobre nós pelos outros e por um meio-ambiente criado pelo homem.

Mas acho que o mundo ainda pode ser salvo disso, e quero explicar como, mas preste atenção porque só vou dizer uma vez.

É necessário em primeiro lugar que se entenda que (e porque) a situação está cada vez mais desesperadora do que já esteve. O mundo está duas vezes mais difícil de salvar do que, digamos, no tempo de Jesus, e não é só porque há mais gente para ser salva. Tanto a salvação do mundo quanto a específica dificuldade presente estão ligadas à qualidade das relações entre as pessoas.

Há dois mil anos, para salvar o mundo, bastava convidar as pessoas a abraçarem uma forma radical e revolucionária de convivência. Hoje em dia é preciso lembrá-las, em primeiro lugar, do que é convivência, que há um mundo possível determinado pelas relações autônomas e criativas entre as pessoas, um mundo louquíssimo impulsionado pela graça fragilíssima da camaradagem e não pela sociedade de consumo, pela internet, pelos reality shows, pelos times de futebol, pela marca da roupa, pelo modelo do carro, pelo peso onipresente das pressões familiares, religiosas, sexuais, econômicas, raciais e políticas.

Jesus viveu naturalmente para denunciar a religiosidade humana. Ele convidava, de forma singela, a que adotássemos um novo e notável critério, que é incrivelmente, a ausência de qualquer critério. O Filho do Homem desafia-nos a ser nisso singulares (leia-se santos) como Deus é, disparando amor arbitrariamente como metralhadoras, abandonando definitivamente os critérios usuais de competência. Essa regra divina pode ser expressa da seguinte forma: Ninguém merece, por isso todos podem ter.

Portanto, desiluda-se por completo de todas as iniciativas comunitárias ou governamentais, por mais bem-intencionadas que sejam, e raramente são. A salvação não virá de ONGs ou OGs, Gogues ou Magogues, poderes ou potestades. A salvação não virá de igrejas, assembléias legislativas, organizações de bairro, sindicatos, asilos, orfanatos ou campanhas de assistência humanitária. Se eu e você não fizermos, ninguém vai fazer. Absolutamente ninguém vai fazer.

“Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade edificada sobre o monte.”

Mateus 5:14

Não se iluda, isso não é função de nenhum grupo específico. Qualquer um pode trazer luz ao mundo, qualquer um. Mas na maior parte do tempo Deus não existe, quando a situação aperta ele passa a estar ausente e o evangelho é uma farsa. Não se pode esconder uma boa-nova que se aplica a qualquer um, por isso, quando não atinge indiscriminadamente a todos, a cidade não está sobre o monte, e pode ser facilmente escondida.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Gente - Marcos Valle

Gente que entende
que não pode dar
porque nunca na vida sofreu por não ter
Deus quando fez essa terra pensou em fazer tudo bem diferente
Não que eu queira ter muita coisa demais
quero é ter um pouco de paz
quero apenas ter um lugar pra morar
porque
veja bem
há quem tem
sem saber
mais de cem
pode até mesmo o Senhor se zangar
e vir para a Terra e tudo mudar.